segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Olha, outro fantasma desencaixotado!

Ando preguiçosa.
Preciso de férias de preguiça. Só.
Desencaixotei mais este fantasma (tão antigo!) que foi feito em Roma, com o amigo Marcos, a Vivi e o Brunô.




sábado, 16 de Janeiro de 2010

Caixote tombado ou Caetano & Gil ou Haiti




«Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui»

domingo, 3 de Janeiro de 2010

Sofá desencaixotado.
















Durante o ano que passou, esta casa e eu sofremos profundas transformações e obras. O sofá é um dos orgãos vitais meus e da casa. Por ele passou muito boa gente. Algumas dessas pessoas foram fotografadas. Outras não. Mas não resisto a mostrar alguns dos momentos mais divertidos.
O meu sofá (que por acaso agora são dois) é um mundo.

Caixote do Gabriel- Aquele que pensa sempre bem.

"A vida é feito andar de bicicleta: se parar você cai.
Vai em frente sem parar, que a parada é suicida, porque a vida é muito curta e a estrada é comprida.
Você sobe e você desce na escada da vida e às vezes parece que a batalha tá perdida e que você voltou pro ponto de partida.
Vai à luta, levanta, revida!
Vai em frente, não se rende, não se prende nesse medo de errar, que é errando que se aprende que o caminho até parece complicado e às vezes tão difícil que você se surpreende quando sente de repente que era tudo muito simples - vai em frente que você entende.
Boa sorte, firme e forte, vai com a força da mente.
Vai sabendo que não há nenhum peso que você não agüente.
Vai na marra, vai na garra, vai em frente.
E se agarra no seu sonho com unhas e dentes.
Pra saber o que é possível é preciso que se tente conseguir o impossível, então tente!
Sempre alimente a esperança de vencer.
Só duvide de quem duvida de você.

Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!
Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Não repara no mau tempo que o sol já sai.
Vai em frente, sem parar que se parar você cai!
Vai em frente, enfrente, enfrenta, vai!

Vai agora, não chora.
Ignora a energia negativa lá fora, porque dentro de você existe um poder bem maior do que você pensa.
Vai atrás da recompensa e se houver inveja e se ouvir ofensa você responde com a força do perdão.
E aumenta sua crença cada que vez ouvir um não, porque todo não esconde um sim.
Ainda é só o começo, vá até o fim.
Aprenda nos tropeços, não olhe pro chão.
Olhe pro céu.
Olhe pra vida sempre de cabeça erguida que no fim do túnel tem uma saída, mesmo quando você não consegue ver a luz.
Feche os olhos que uma força te conduz.
Vai em frente, vai seguro, faz um furo nesse muro que o escuro se esclarece.
Vai em frente, simplesmente vai em frente que o futuro é um presente que a vida te oferece.

Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!

É na dor que o recém-nascido aprende a chorar.
Pra encontrar a cura você tem que procurar.
É no choro que o recém-nascido aprende a respirar.
Então respira fundo que a vitória tá no ar.
Vai indo, vai na tua, vai você.
Vai nessa, vai na boa, vai vencer.
Acredite no bem, que fazer o bem faz bem.
Faça o bem que faz acontecer.
Vai na fé, vai a pé, vai do jeito que der.
Vai até onde puder, vai atrás do que tu quer.
Vai andando, vai seguindo, vai pensando, vai sentindo, vai amando, vai sorrindo, vai cantando, vai curtindo, vai plantando e vai colhendo, vai lutando pela paz - vai dançando no ritmo que o tempo faz.
Vai de peito aberto.
Vai dar certo.
Confiante que o distante num instante fica perto.
Fica esperto, vai! Com a força de vontade.
Vai à vera, não espera a oportunidade.
Não aceita humilhação mas não perde a humildade.
E nunca abra a mão da sua dignidade.


Sem parar, sem parar, se parar você cai!
Demorou, demorou! Pedala aí!
Então não pára o movimento, vai em frente, vai!
Se parar você cai, se cair cê levanta."

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

O espírito de Natal fora do Centro Comercial!

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Caixote da Areia (Perfumada)



Estou sempre a escrever “a minha casa” e sobre “os caixotes da minha casa”, porém, todos os que já vieram cá a casa puderam constatar que a casa não é minha.
Não. Não pensem já na piada de que é minha e da Caixa Geral de Depósitos. Não é disso que se trata aqui hoje (Se bem que daria papel para texto.).
A verdadeira dona da minha casa chama-se Miaulina.
É uma gatinha calminha, doce, ternurenta e até submissa, quando está a dormir.
Nas outras ocasiões todas, dá ares de aristogata, enfadada e refilona.
É um caixote maravilhoso cheio de momentos embaraçosos, divertidos e assustadores que eu mimo com carinho e muito respeitinho há sete anos.
De raça “vaca malhada”, filha de cão e neta de leão, é a coisa mais gordinha e fofinha cá do bairro.
E se é verdade que não gosta de crianças, mãos ao pendurão e animais (todos os outros), também é verdade que tem um refinado gosto por sapatos caros e por ameaçar as pombas que se atrevem a poisar na varanda.
Lembro-me com nostalgia de um certo jantar em que no meio de uma multidão de comensais, escolheu os sapatos Camper novinhos de um rapaz Erasmus, de um país daqueles onde se fala com uma batata quente na boca, para estraçalhar. O rapaz simpático, e até diria tímido por se encontrar longe da terra natal, sorria com um ar amarelado e de terror. Ofereci-me para lhe pagar uns sapatos novos em Português correcto, mas ele não me entendeu.
Ou daquele dia de sol em que a bicharoca se convenceu que um helicóptero que andava a sobrevoar a zona era uma pomba. Partiu um castiçal e mais umas coisitas na perseguição. Mas o mais trágico do episódio foi não ter alcançado a presa. Deprimiu uma semana. Nunca mais olhou para as pombas da mesma forma.
Possui também um sistema de alerta que é activado pelo clique da abertura de uma lata de atum, pelo barulho das batatas fritas ou dos amendoins com mel dentro do saco e pelo abanar da caixa dos biscoitos de gato em forma de cabeça de gato. Esteja onde estiver, aparece em milésimos de segundo.
Tem um problema com o cheiro da valeriana, que me preocupou bastante em tempos. Mas, quando li as memórias do Gabriel Garcia Marquez esclareci que todos os gatos ficam perturbados com a valeriana. Foi quando desisti de a levar a um psicólogo de gatos e guardei o meu chá numa lata em cima do móvel mais alto cá de casa.
Como todos os bichos com personalidade forte, é dependente de comida, areia limpa, roupa por passar a ferro acabadinha de secar para espalhar os pêlos e do coelho verde de peluche (falecido há anos e que já se encontra em avançado estado de decomposição) que nos acompanha de casa em casa.
Como qualquer gato adora tomar banho e ser aspirada.
Como qualquer gato tem momentos em que faz ronrom. Mas isso é só para mim.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Caixote das mensagens(das que podemos mostrar)

Para a minha melhor vizinha (com desejo profundo de que a nova etapa seja muito feliz).

“Daqui a cinco minutos no Largo.”
“Tens filmes novos? Passo aí e mandas pela varanda.”
“Café na Botica II?”
“Vais ver a Miau?”
“Emprestas o aspirador?”
“Cheguei a casa. Dorme bem.”
“O meu mano ainda está aí?”
“O teu mano deixou cá a carteira.”
“Estou a jantar na Botica. Queres vir?”
“Emprestas o grelhador?”
“Copinho no Bairro?”
“O que é que a minha amiga anda a fazer?”
“Vem cá a casa. Bebemos um chá.”
“Tem calma. Vou já aí ter.”
“Vens para casa? Cafézinho no Largo?”
“Pequeno-almoço amanhã?”
“Sim, sim, passo aí e assobio.”
“Jolinha na esplanada?”
“Banho rápido e vou aí ter.”
“É preciso levar alguma coisa?”
“Cerveja do indy.”
“Janta cá em casa.”
“Tens aí migras?”
“A janta está pronta.”
“Elevation, baby!”
“Bju Laru”
“Beijinho para a menina mailinda do Conde Barão.”
“On the road”