sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Caixa Registadora

Este ano comprei as minhas prendinhas de Natal sem ir ao Colombo, nem ao Vasco da Gama. O que me deixa com esperanças de que talvez para o ano não ponha o pé nas Amoreiras.
E apesar da correria desta época, não estou irritada como nos outros anos. Se calhar, a perspectiva de que o ano 2011 vai ser difícil em termos económicos (o que eu me recuso a interiorizar) fez-me ficar mais contida e logo mais calma. Fiquei mais criativa e menos gastadora.
Estou cá com um sentimento de que afinal 2011 não vai ser terrível. 2011 vai ser um excelente ano. Pelo menos, visto assim à distância de uma semana, estou optimista.
Mas ainda é cedo para pensar nisso. 2010 ainda não acabou e merece ser respeitado.

Feliz Natal fora do Centro Comercial.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Caixote das prendas.

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Obrigada minha Clarinha de sempre. Para sempre.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Conversas de Taxi-I

"Quem te disse que se lhe pagasses te ensinava a conduzir, enganou-te"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

E assim acontece.



Carlos Pinto Coelho 18/04/1944-15/12/2010

Estamos ainda mais pobres.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Casota do cão (Margarida, perdoa o roubo descarado da fotografia)




Carta de coração aberto ao amigo Jal
ou
O que o Ben te diria se soubesse escrever:




Desde o dia em que te vi que soube que ias ser o meu melhor e maior amigo nesta vida.
Decidi logo que ia tomar conta de ti. Precisavas de mim. E eu de ti.
Quando me deixavas sozinho em casa, ficava desesperado a pensar se tu voltarias. Mas tu voltavas sempre. E tratavas-me tão bem. E a minha cauda ficava frenética para tu saberes que eu estava mesmo feliz.
Passamos momentos maravilhosos juntos. Lembras-te quando me levavas a passear? Adorava caminhar como tu. Assim com os ombros para a frente, à valente.
Alimentaste-me, levaste-me à rua, dormiste comigo, trataste de mim quando fiquei doente. Foste e sempre serás o meu herói.
Um dia trouxeste aquela gata magricela cá para casa e fiquei assustado. Espera aí, esta tipa dos bigodes vem roubar o meu lugar. Mas não. Soubeste multiplicar o teu Amor por dois.
Por tua causa, acredito que há Amor que não tem limites e uniões que duram para sempre. Por tua causa, acredito que o mundo tem coisas bonitas e que a vida é boa. Por tua causa os meus olhos brilham e sei que o carinho é gratuito. Por tua causa tive tios maravilhosos que gostaram de mim e me cuidaram e um padrinho que, apesar de se armar em durão, foi sempre lamechas comigo. Tudo por tua causa.
Por minha causa, quero que continues a ser o menino dos olhos brilhantes.
Guarda-me como se guarda um osso precioso. Nunca te esqueças do sitio onde me puseste e sorri sempre que me vais espreitar. Eu vou estar sempre lá.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O povo (pouco) saiu à rua



O que eu gostava mesmo era que o povo fizesse.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cara

Quem vê caras não vê corações. Ou, diria o Sérgio Godinho “quem não vê caras não vê corações”.


Toda a gente que circula em Lisboa conheceu certamente o Senhor do Sinal, ou o Homem sem Rosto que costumava estar no Rossio a pedir esmolas. A natureza pode ser brutal. O senhor é um ser humano e todos o olhávamos como um monstro.
Tenho uma amiga que me contou que um dia se sentou à frente dele no metro. Olhou-o por uns segundos e depois teve que desviar o rosto. Disse-me que saiu do metro na paragem a seguir porque estava a desfazer-se em lágrimas. Tentou imaginar como seria a vida dele. Sem ninguém que lhe quisesse fazer uma festa no rosto que não tinha, sem quem lhe enxugasse as lágrimas, sem espaço por onde sorrir. E sem vontade de sorrir, provavelmente.
A mim sempre me preocupou a felicidade dele. Sempre achei que podemos ser felizes sem uma mão, sem uma perna, sem um rim, sem juízo, com juízo a mais, mas com aquele rosto inexistente, aquela massa informe por onde os seus olhos espreitavam, nunca consegui conceber a hipótese de felicidade ou de paz interior. E depois as pessoas parvas ou desprevenidas a desviarem o olhar dele ou a fazerem expressões de espanto quando o viam, adolescentes histéricas com gritinhos, gente com idade para ter bom senso a gritar-lhe para desaparecer, vi eu mais do que uma vez. Posso estar equivocada. Aliás, espero estar. Mas não consigo acreditar que o senhor fosse feliz.


O senhor chama-se José Mestre. No dia 19 deste mês foi operado em Chicago e retiraram-lhe 5,5Kg de tumor do rosto. Cinco quilos e meio.
Em breve vai voltar a Portugal com um rosto.
Fiquei feliz por saber.